WebTech Network

A extensão que forma para o mercado

Relato de experiência do WebTech Network (PUC Minas) sobre como a extensão universitária aproxima a formação acadêmica das demandas do mercado de TI, por meio de design thinking, metodologias ágeis, projetos reais e jornadas de aprendizagem.

01/10/2026 · WebTech Network

A extensão que forma para o mercado

Texto completo do artigo "Impacto da extensão na formação universitária alinhada às necessidades do mercado de tecnologia da informação: Experiência de membros do WebTech Network baseada em Design thinking e Metodologias Ágeis", de Mariana Almeida Mendonça, Rommel Vieira Carneiro, Nilson Deon Cordeiro Filho, Alice Salim Khouri Antunes e Artur Bomtempo Colen.

Resumo

Esse relato de experiência descreve o trabalho do WebTech Network, programa de extensão da PUC Minas, na busca por reduzir a distância entre a formação acadêmica e as exigências do mercado de TI, facilitando a aplicação dos conhecimentos adquiridos nos cursos de graduação em projetos reais. Alunos extensionistas foram responsáveis pelo desenvolvimento de websites, realização de workshops e jornadas de aprendizagem, alinhando práticas centradas no usuário e fomentando habilidades técnicas e comportamentais. A experiência envolveu aplicação de técnicas de design thinking e metodologias ágeis, bem como a criação de comunidades de prática gerando valor para participantes de diferentes níveis de conhecimento. Como resultado, observou-se maior sinergia entre teoria e prática, bem como ampla satisfação dos envolvidos. Ainda que persistam desafios de captação de novos mentores, recursos e parcerias, as iniciativas realizadas reforçam o compromisso do programa com uma formação orientada ao mercado e ao desenvolvimento pessoal. Com isso, o WebTech Network tem se consolidado como um ambiente de aprendizagem ativa, estimulando o crescimento profissional dos alunos e a inovação na educação superior.

Palavras-chave: extensão universitária, aprendizagem baseada em problemas, aprendizagem baseada em projetos, metodologias ágeis, design thinking.

1. Introdução

Há um crescente debate sobre o descompasso entre a formação universitária e as demandas do mercado de trabalho, especialmente no setor de tecnologia da informação (DAKA et al., 2023). Dentre as principais deficiências identificadas estão a falta de habilidades práticas, soft skills (como comunicação e trabalho em equipe) e a capacidade de adaptação a mudanças tecnológicas. Nesse contexto, a extensão universitária emerge como uma estratégia crucial para integrar teoria e prática, promovendo habilidades técnicas e comportamentais essenciais (SANTOS et al., 2016).

O WebTech Network, um programa de extensão ligado à PUC Minas, foi desenvolvido justamente para enfrentar esses desafios, criando um espaço colaborativo onde alunos, professores e profissionais de mercado podem trabalhar juntos na criação de soluções e conteúdos digitais. O programa desenvolve soluções para pequenas e médias empresas, além de promover iniciativas de capacitação em tecnologias digitais, facilitando a inserção dos participantes no mercado de trabalho. Suas ações incentivam o protagonismo dos extensionistas, proporcionando oportunidades para o desenvolvimento de habilidades que vão além do escopo técnico e tecnológico. Formação de lideranças e trabalho em equipe são pilares fundamentais do programa, que conta principalmente com alunos do Instituto de Ciências Exatas e Informática (ICEI), bem como de outras áreas que contribuem para a entrega dos projetos.

Em suas ações e projetos, o WebTech Network incorpora conceitos de design centrado no usuário, baseados nas técnicas de Design Thinking (GIBBONS, 2016) e nas metodologias ágeis, especialmente o Scrum (SUTHERLAND, 2019). Para Gibbons (2016), "abordar a resolução de problemas com uma mentalidade prática e centrada no usuário leva a inovações que resultam em diferenciação e vantagens competitivas", um princípio central nos processos baseados em Design Thinking. De forma complementar, o Scrum valoriza a "incerteza e a criatividade", conforme destacado por Sutherland (2019), guiando as equipes em um ciclo contínuo de "inspeção e adaptação" para alcançar a melhoria contínua.

O objetivo deste trabalho é apresentar um relato da experiência de alunos extensionistas do WebTech Network, seu aprendizado e as oportunidades que decorreram da participação nas ações do programa.

Além desta introdução, o artigo apresenta a fundamentação teórica, descreve a experiência realizada, discute os resultados obtidos e traz considerações finais sobre o processo.

2. Fundamentação Teórica

Esta seção aborda aspectos relevantes para a discussão a partir da literatura, em especial o problema do distanciamento entre a formação universitária e as necessidades do mercado de trabalho, as alternativas e oportunidades nesse sentido, bem como uma análise sobre como as metodologias ágeis e o design centrado no usuário têm sido utilizados como abordagens de metodologias ativas no processo de ensino e aprendizagem.

Tem sido desafiador para as universidades manterem currículos atualizados e atenderem às expectativas do mercado de trabalho frente ao dinamismo e o avanço tecnológico da área de tecnologia da informação (SAHIN e CELIKKAN, 2020). O distanciamento da formação universitária se deve a diversos fatores como a desatualização dos currículos dos cursos diante das expectativas do mercado, a falta de proximidade e contribuição da indústria no projeto desses currículos, a falta de práticas pedagógicas com ênfase em trabalho em equipe e experiências práticas, além de mecanismos de avaliação pouco efetivos (DUNNE e RAWLINS, 2000; SAHIN e CELIKKAN, 2020).

De acordo com Sahin e Celikkan (2020), há um descompasso significativo entre o que as instituições de ensino superior priorizam e o que as empresas de tecnologia de fato esperam dos profissionais recém-formados. Para os autores, ainda se observa uma ênfase excessiva em temas mais teóricos ou tradicionais na academia, como arquitetura de hardware, redes de computadores e alguns modelos de desenvolvimento de software considerados ultrapassados (por exemplo, Waterfall e Spiral). Em contrapartida, áreas que o mercado valoriza cada vez mais como metodologias ágeis (Scrum, Agile), técnicas de teste e verificação, gestão de projetos e habilidades interpessoais acabam recebendo menor destaque na formação universitária (SAHIN e CELIKKAN, 2020). Essa lacuna se reflete no preparo dos alunos, que sentem muitas vezes falta de maior contato com ferramentas práticas de versionamento (como Git, GitHub e TFS), frameworks corporativos (como JEE e ASP.NET), e arranjos organizacionais que buscam o compartilhamento de conhecimento por meio da colaboração como o modelo difundido pelo Spotify (SMITE et al., 2019), questões essenciais no cotidiano de grandes empresas.

Estratégias voltadas para o processo de ensino e aprendizagem como a aprendizagem ativa (PRINCE, 2004), a aprendizagem baseada em problemas (BARROWS, 1986), a aprendizagem baseada em projetos (WURDINGER et al., 2007) e a educação baseada em competências (GERVAIS, 2016) são alternativas aplicáveis nesse contexto e contribuem para o engajamento dos alunos e construção de habilidades técnicas e sociais. A aprendizagem ativa tem sido apontada como uma abordagem efetiva para promover maior engajamento e construção de conhecimento pelos estudantes (PRINCE, 2004). A abordagem de aprendizado baseada em problemas utiliza problemas reais ou simulados como ponto de partida para o processo de aprendizagem, possibilitando que os estudantes desenvolvam habilidades de resolução de problemas, pensamento crítico e trabalho em equipe (BARROWS, 1986). Aprendizagem baseada em projetos é "um método em que professores orientam alunos em um processo de resolução de problemas… e realização de um projeto" (WURDINGER et al., 2007). A Educação Baseada em Competências (EBC) pode ser entendida como uma estratégia que busca avaliar o atingimento de conhecimentos, atitudes, valores e habilidades em um cenário de competência específica (GERVAIS, 2016). Com a EBC, há um aumento na autonomia dos estudantes, maior alinhamento entre ensino e expectativas de mercado, além da adequação da aprendizagem com o ritmo do aluno (GERVAIS, 2016; OROSZI, 2020).

Em paralelo às abordagens voltadas para o processo de ensino e aprendizagem, a extensão tem um papel importante na integração da comunidade acadêmica com a sociedade por meio de diversas ações, promovendo benefícios para ambos os lados e ajuda a reduzir a distância entre o que se aprende na graduação e o que o mercado de trabalho (SANTOS et al., 2016). Para o autor, a atuação em projetos de extensão "amplia as possibilidades de atuação profissional, na medida em que esse conhecimento é articulado e contextualizado com as reais demandas sociais" (SANTOS et al., 2016).

3. Aspectos Metodológicos

O experimento trata de um relato de experiência dos alunos extensionistas, do programa WebTech Network na aplicação dos conhecimentos adquiridos nos cursos em situações práticas com clientes reais. As experiências relatadas ocorreram entre junho de 2024 e setembro de 2025 e culminaram no desenvolvimento de website, na elaboração de material didático para o WebTech Labs (tutoriais disponíveis no GitHub), na realização de workshops e jornadas inteiras de capacitação em tecnologias da informação.

O programa utilizou as plataformas GitHub (https://github.com) e GitHub Classroom como repositório para material didático dos Labs e entrega de atividades práticas. Nas jornadas de aprendizagem, foram utilizados o Canvas LMS para a distribuição de material didático e o Discord para reuniões, fóruns de discussões e acompanhamento de dúvidas dos participantes. O gerenciamento de inscrições dos workshops e das jornadas foi realizado por meio da plataforma Sympla (https://www.sympla.com.br), que permite a abertura dos processos, o controle de inscrição de participantes, bem como a emissão de certificados de participação.

Todos os dados mantidos nessas plataformas são apresentados de forma integrada no site do programa, permitindo o acompanhamento das ações de ensino e extensão e a visibilidade dos resultados alcançados.

Procedimentos de Coleta de Dados

A coleta de dados foi conduzida para avaliar as percepções dos alunos extensionistas quanto ao impacto de sua participação nas ações do programa WebTech Network no desenvolvimento de competências técnicas, profissionais e socioemocionais alinhadas às necessidades do mercado de tecnologia da informação.

Os dados foram obtidos a partir de três fontes complementares:

  1. Entrevistas semiestruturadas com membros do programa, voltadas à compreensão qualitativa da experiência e dos impactos percebidos.
  2. Formulário estruturado em escala Likert, elaborado especificamente para este estudo, composto por três dimensões avaliativas que se articulam com as hipóteses de pesquisa:
    • Desenvolvimento técnico-prático
    • Empregabilidade e percepção profissional
    • Soft skills, trabalho em equipe e autonomia
  3. Registros de publicações em redes sociais e materiais de divulgação de participantes dos workshops e jornadas, utilizados como evidências complementares de engajamento e impacto social.

O instrumento quantitativo (formulário) foi aplicado de forma on-line, por meio do Google Forms, e adotou uma escala de cinco pontos, variando de 1 ("Discordo totalmente") a 5 ("Concordo totalmente"), de modo a mensurar o grau de concordância dos participantes em relação às afirmações propostas.

O questionário foi estruturado com 11 afirmações, organizadas conforme o Quadro 1.

Quadro 1. Perguntas do formulário estruturado.

DimensãoItens de Avaliação
Desenvolvimento técnico-prático
  • A experiência nas atividades de extensão ampliou meu domínio sobre ferramentas técnicas relevantes para o desenvolvimento de software.
  • As práticas desenvolvidas durante o projeto de extensão consolidaram os conhecimentos adquiridos nas disciplinas teóricas.
  • Após participar do projeto, sinto-me mais confiante para resolver problemas aplicando metodologias utilizadas no mercado de TI.
Empregabilidade e percepção profissional
  • A participação em atividades de extensão aumentou minha percepção de empregabilidade.
  • As atividades extensionistas contribuíram para um contato mais direto com problemas reais e conectaram os conteúdos do curso às necessidades práticas do mercado.
  • O projeto de extensão me fez compreender melhor o papel social da tecnologia e sua contribuição para a comunidade, reforçando minha consciência sobre questões socioambientais.
  • A experiência estimulou em mim uma postura mais inovadora na busca por soluções com impacto positivo.
Soft skills, trabalho em equipe e autonomia
  • A participação no projeto de extensão incentivou meu protagonismo e autonomia no processo de aprendizagem.
  • A experiência desenvolveu em mim competências como pensamento analítico, resolução de problemas e aprendizagem contínua.
  • A participação em projetos de extensão contribuiu para que eu me sentisse mais preparado para lidar com as rápidas mudanças tecnológicas previstas para o futuro.
  • A atuação no projeto fortaleceu minhas habilidades interpessoais, como comunicação, empatia, colaboração e capacidade de liderança.

Além das questões fechadas, o instrumento incluiu um campo de resposta aberta, destinado a permitir que os participantes expressassem livremente seus principais aprendizados e percepções sobre a experiência extensionista.

Os resultados coletados foram posteriormente organizados em planilha para análise quantitativa descritiva e interpretação qualitativa de padrões emergentes nas respostas abertas.

4. Ações, Resultados e Discussão

As ações realizadas no âmbito do programa WebTech Network tiveram como propósito aproximar os alunos das demandas reais do mercado e das comunidades atendidas pelos projetos. Entre junho de 2024 e setembro de 2025, os extensionistas participaram de atividades de capacitação, desenvolvimento e suporte técnico, organizadas em três eixos: (1) Desenvolvimento de soluções web, (2) Elaboração de materiais didáticos e tutoriais para o WebTech Labs, e (3) Realização de workshops e jornadas de capacitação tecnológica.

Cada ação foi planejada de forma colaborativa, utilizando metodologias ágeis e ferramentas digitais integradas. Os alunos atuaram em equipes interdisciplinares, acompanhadas por professores mentores, e os resultados obtidos subsidiaram as análises apresentadas nas seções seguintes deste artigo.

Site GDG DevFest 2024

O trabalho objeto deste relato foi a criação de um website para o evento DevFest BH 2024 realizado no dia 26 de outubro de 2024. A captação da oportunidade se deu por meio de contatos com as coordenações de cursos de graduação do ICEI.

O planejamento do trabalho utilizou um processo metodológico desenvolvido na disciplina de "Trabalho Interdisciplinar - Aplicações Web" do curso de Engenharia de Software da PUC Minas - Unidade Lourdes (Nelson, Carneiro e Rodrigues, 2017), baseado nas técnicas de Design Thinking (Gibbons, 2016) e nas metodologias ágeis (Sutherland, 2019).

Durante a concepção do projeto, foi realizado o levantamento da necessidade por meio de reuniões com organizadores da comunidade. Dentre as funcionalidades requeridas, foi identificada a necessidade de prover uma forma prática de visualizar horários, palestrantes e programação do evento. Foram realizados estudos de alternativas para a criação do website, a partir de material disponível na Internet e contando com a mentoria dos professores vinculados ao WebTech Network. Com a conclusão do projeto, iniciou-se a publicação do website. O projeto teve uma participação ativa dos organizadores do evento e seus feedbacks são apresentados no Quadro 2.

Quadro 2. Relatos dos organizadores do evento.

FeedbacksRelato
Feedback 1“… tivemos a oportunidade de trabalhar com o time da WebTech no desenvolvimento do site do evento, e a experiência não poderia ter sido melhor. Desde o início, a equipe demonstrou excelência e comprometimento, participando ativamente de todas as reuniões de levantamento de requisitos e garantindo que cada detalhe fosse cuidadosamente planejado e executado.”
Feedback 2“O profissionalismo e a dedicação da WebTech foram evidentes em cada etapa do processo. Sempre atentos aos prazos e dispostos a esclarecer dúvidas, o time garantiu uma entrega de altíssima qualidade, tornando o site um dos pilares fundamentais da organização do evento.”
Feedback 3“[…] também contamos com dois workshops incríveis conduzidos pelo time [...]. O sucesso foi imediato: [...] as inscrições chegaram a 80 pessoas, ultrapassando a capacidade dos laboratórios [...]. Mesmo após o fechamento das inscrições, a procura continuou intensa, demonstrando o grande interesse da comunidade nesses temas.”
Feedback 4“Trabalhar com a equipe da WebTech foi um enorme prazer. Todos se mostraram extremamente competentes, engajados e interessados em entregar o melhor resultado. Esperamos que essa parceria continue, pois, sem dúvida, a WebTech foi essencial para o sucesso do DevFest BH 2024.”

A experiência na criação do website possibilitou a capacitação dos alunos extensionistas nas tecnologias envolvidas e resultou na elaboração de material explicativo sobre a aplicação prática dessas tecnologias. Esse material é disponibilizado por meio do WebTech Labs e serve como base para a realização de workshops abertos para toda a comunidade.

Foram realizados três workshops nas unidades PUC Minas - Coração Eucarístico (1) e PUC Minas - Lourdes (2), sendo alguns no próprio evento do DevFest 2024, a convite da organização. A iniciativa alcançou um número significativo de participantes, sendo 118 pessoas inscritas e cerca de 56 alunos capacitados. Os registros fotográficos são apresentados na Figura 1.

Workshop de Node.jsWorkshop de React e Next.jsWorkshop de React e Next.js

Figura 1. Registros fotográficos: Workshop de Node.js (1) e Workshop de React e Next.js (2) e (3). Fonte: Acervo do WebTech Network.

A realização destes workshops gerou um resultado positivo para os espectadores, objetivo maior de uma ação extensionista. O feedback dos participantes apresentados no Quadro 3 foram coletados na rede social de negócios LinkedIn e destacam o impacto positivo do projeto junto à comunidade.

Quadro 3. Relato dos Alunos dos Workshops.

CasosRelato
Participante 1“Não posso deixar de citar a palestrante do workshop, 'Aluna 1', que dominou o evento e despertou em mim o desejo de desenvolver projetos com a WebTech Network e trabalhar, lado a lado, com pessoas que ministraram o workshop.”
Participante 2“… tive a oportunidade de participar do workshop prático [...], que foi muito prático e informativo. Decidi compartilhar aqui alguns dos destaques do que aprendi nesse workshop.”

Para além da comunidade, percebe-se um impacto significativo na formação dos alunos extensionistas. É fundamental destacar as perspectivas dos alunos que participaram da concepção e implementação do website, na elaboração dos laboratórios ou na realização dos workshops. Nesse projeto, foram alocados quatro extensionistas e suas percepções são apresentadas no Quadro 4.

Quadro 4. Depoimento dos Extensionistas.

AlunoAtividadesDepoimento
Aluno 1Workshops“No início fiquei com receio, mas, conforme os workshops avançavam, fiquei mais confiante. Os feedbacks positivos me deixaram mais aliviada e percebi o impacto que nossa contribuição teve nos participantes.”
Aluno 2Desenvolvimento
Workshops
“Foi muito gratificante colaborar no desenvolvimento do site e na ministração dos workshops. Além de todo o aprendizado adquirido ao longo dos encontros, poder aplicar esse conhecimento em ações concretas tornou a experiência ainda mais enriquecedora.”
Aluno 3Concepção
Desenvolvimento
Publicação
Elaboração dos Labs
Workshops
“[…] tive a oportunidade de liderar diversas frentes, desde os Labs até o site e workshops, o que me desafiou a crescer profissionalmente. [...] Cada etapa tem possibilitado um crescimento profissional marcante, crescendo minhas habilidades técnicas, sociais e gerando um grande network.”
Aluno 4Elaboração dos Labs
Workshops
“Foi uma experiência positiva, com aprendizado constante e trabalho colaborativo. [...] No primeiro workshop, enfrentamos pouco tempo para resolver um problema, mas conseguimos nos organizar e alcançar um bom resultado.”

Durante o projeto, foram observados vários desafios para o fechamento das entregas, tais como a dificuldade de interação frequente com os contratantes, gerando atrasos na entrega dos artefatos do projeto. Todavia, as dificuldades encontradas foram essenciais para a compreensão da dinâmica de trabalho em projetos reais, possibilitando uma experiência mais próxima da realidade profissional.

Metodologia WebTech - v1.0

Figura 2. Metodologia WebTech - v1.0. Fonte: Elaborado pelos autores.

O projeto também contribuiu para a consolidação da metodologia de trabalho do WebTech Network, apresentada no diagrama da Figura 2, com as seguintes etapas:

  • Product Discovery — identifica e valida as necessidades dos usuários para alinhamento dos membros da equipe, minimizando problemas nos produtos desenvolvidos. Nessa fase, são realizadas atividades de pesquisa como entrevistas, questionários e análise de dados para obter insights adequados sobre os usuários e o mercado.
  • Product Design — focaliza em transformar os insights obtidos em soluções tangíveis e utilizáveis. Envolve a criação de wireframes, mockups e protótipos da interface, os mecanismos de interação e experiência do usuário. O objetivo é criar um design que resolva eficazmente os problemas identificados, garantindo um produto funcional, intuitivo e agradável de usar.
  • Product Development — a partir de metodologias ágeis, busca-se a organização dos membros do grupo para o desenvolvimento da solução. Nessa etapa, o grupo deve se reunir, planejar a entrega da sprint considerando as funcionalidades identificadas para a solução a ser construída, elaborar juntos as estruturas de dados e programar as funcionalidades.
  • Product Deploy — realiza-se a entrega preliminar, os testes e validações, a publicação em ambiente de produção, treinamentos e outras atividades para a transição do projeto. A partir das boas práticas de DevOps, estratégias para a automação de processos de integração e entrega são desenvolvidas, garantindo agilidade.

As etapas da metodologia contribuem para a construção de projetos alinhados com as necessidades dos clientes e as demais iniciativas (Labs, Workshops, entre outros) promovem um ecossistema voltado à capacitação tecnológica e comportamental dos membros do programa e da comunidade no seu entorno.

WebTech Journey - Jornadas de Aprendizagem

A ação teve origem a partir de uma análise do cenário atual de formação técnica e de inserção de novos talentos no mercado de tecnologia. Observou-se, de um lado, um número significativo de estudantes com dificuldades de acesso a capacitações técnicas exigidas pelo mercado, e, de outro, empresas enfrentando carência na identificação e recrutamento de profissionais com competências específicas. Essa lacuna motivou a criação do WebTech Journey, uma iniciativa destinada a capacitar estudantes, mesmo sem experiência prévia em tecnologia, preparando-os para o desenvolvimento de seus primeiros projetos reais na área.

A primeira experiência estruturada dessa ação foi o Journey ASSPROM, desenvolvido entre abril e maio de 2025 em parceria com o Elas++ (outro programa de extensão vinculado à PUC Minas) e a ASSPROM (entidade filantrópica para a profissionalização e orientação de jovens em situação de vulnerabilidade social). Essa ação foi fundamental para a consolidação do formato, tendo uma carga horária de 20h em que foram capacitados 16 jovens nas linguagens HTML e CSS para criação de páginas e interfaces Web.

A segunda experiência dessa ação foi a Jornada Back End, um processo de capacitação e seleção de talentos realizada pelo WebTech Network em parceria com a empresa LEVTY. A ação foi desenvolvida entre os meses de julho e outubro de 2025, com o propósito de formar estudantes nas principais competências relacionadas ao desenvolvimento de aplicações backend (parte de retaguarda de sistemas computacionais). O programa abordou tecnologias de desenvolvimento de software como a plataforma Node.js e padrões de documentação de APIs (Application Programming Interfaces) como o Swagger e Open API Specification, estruturando um percurso formativo que combinou teoria e prática com forte interação de uma comunidade de prática do programa (chapter) (SMITE et al., 2019). A jornada recebeu 500 inscrições. O processo teve carga horária de 120h com 12 encontros síncronos e 34 vídeos gerados e disponibilizados no canal do programa no YouTube. O programa foi dividido em 4 etapas evolutivas:

  • Etapa 1 – Explorando as Raízes do Back-End
  • Etapa 2 – Primeiras APIs REST & Armazenamento em Memória
  • Etapa 3 – Persistência de Dados com Banco de Dados
  • Etapa 4 – Segurança, Autenticação e API Completa

A Jornada contou com a participação de 121 pessoas na etapa 1, 78 na etapa 2, 46 na etapa 3 e, ao final, um grupo de 28 participantes concluíram todas as etapas e foram certificados pelo programa. Estes alunos foram direcionados para a empresa parceira para que fossem avaliados para oportunidades em aberto.

Estrutura do WebTech Journey

A estrutura metodológica da jornada segue a abordagem da aprendizagem baseada em projetos (PjBL) e conta com três pilares centrais: Teoria, Prática e Interação. O processo é conduzido de forma progressiva e integrada, de modo a conduzir o participante desde o nivelamento técnico inicial até a atuação prática em projetos colaborativos.

No pilar teórico, o objetivo é nivelar o conhecimento dos estudantes e fornecer uma base sólida para o aprendizado técnico. Esse processo é sustentado por diferentes recursos: materiais estáticos (como tutoriais guiados, slides e artigos), vídeos gravados sobre tópicos conceituais e práticos, e aulas síncronas, organizadas no formato de workshops e sessões práticas (hands-on sessions). Essa diversidade de materiais e formatos promove um ambiente de aprendizagem híbrido e flexível, permitindo que o aluno construa sua compreensão teórica de maneira autônoma e progressiva. As ferramentas que suportam esse processo incluem o Canvas LMS para disponibilização de materiais estáticos, o GitHub para os laboratórios técnicos e o Microsoft Teams para as aulas síncronas.

O pilar prático constitui o núcleo da formação e é considerado o centro do programa. Nele, os estudantes seguem uma trilha evolutiva baseada em uma definição de projeto em que aplicam diretamente os conhecimentos adquiridos, desenvolvendo competências técnicas. O desenvolvimento das etapas do projeto é orientado por meio de tarefas práticas com enunciados disponibilizados no Canvas LMS e por meio de sessões síncronas (hands-on sessions). A avaliação de entregas é realizada de maneira automatizada, por meio do WebTech AutoGrader, uma ferramenta de correção automática desenvolvida internamente que se integra ao GitHub e o GitHub Classroom. Essa solução fornece feedbacks imediatos e contínuos, destacando pontos de melhoria e apresentando resultados objetivos, o que reforça o aprendizado por experimentação e promove o desenvolvimento de autonomia técnica.

O terceiro pilar, interação, é responsável por fomentar o engajamento social e a colaboração entre os participantes. Ele se materializa por meio de uma comunidade ativa e conectada, onde a troca de conhecimento é estimulada em canais de comunicação e suporte coletivo. Esse ambiente é disponibilizado por meio do Discord e acompanhado pelo Chapter, uma equipe composta por líderes e mentores que oferecem suporte técnico, conduzem atividades práticas, gravam conteúdos e acompanham o progresso dos participantes. A interação entre alunos e mentores é promovida principalmente pela plataforma Discord, que serve como espaço central para comunicação, dúvidas e socialização técnica, fortalecendo o sentimento de pertencimento e a cultura colaborativa.

A combinação desses três pilares – teoria, prática e interação – constitui a base metodológica da Jornada e reflete um modelo de aprendizagem baseada em projetos e orientado para o desenvolvimento de competências alinhadas às necessidades contemporâneas do mercado de tecnologia. O formato desenvolvido no Journey ASSPROM foi aprimorado e expandido para a Jornada Backend, que consolidou as práticas pedagógicas e tecnológicas do programa.

Ao término do percurso, participantes da jornada tanto como estudantes ou como organizadores passam por um processo de validação que resulta na emissão de certificados de conclusão estruturados na forma de badges digitais (ZHANG e WEST, 2020) que podem ser compartilhados em redes sociais e representam o reconhecimento formal de suas conquistas e competências adquiridas ao longo da formação.

Resultados do questionário

Dos membros participantes do programa e que atuaram na realização das ações, sete alunos responderam ao questionário. Os resultados são apresentados no Quadro 5 segmentados pelas dimensões analisadas.

Quadro 5. Resultado do questionário com participantes do programa.

Afirmação12345
Dimensão: Desenvolvimento Técnico-Prático
Ampliação do domínio em ferramentas técnicas7
Consolidação dos conhecimentos adquiridos7
Confiança para resolver problemas aplicando metodologias7
Dimensão: Empregabilidade e Percepção profissional
Aumento da percepção de empregabilidade43
Maior contato com problemas reais e conexão dos conteúdos do curso com necessidades práticas do mercado16
Compreensão do papel social da tecnologia e contribuição para a comunidade, reforçando consciência sobre questões socioambientais133
Estímulo para postura mais inovadora na busca por soluções com impacto positivo16
Dimensão: Soft skills, trabalho em equipe e autonomia
Incentivo ao protagonismo e autonomia no processo de aprendizagem16
Desenvolvimento de competências como pensamento analítico, resolução de problemas e aprendizagem contínua7
Preparação para lidar com as rápidas mudanças tecnológicas previstas para o futuro214
Fortalecimento de habilidades interpessoais7

Legenda: escala de concordância — 1: Discordo totalmente; 2: Discordo; 3: Neutro; 4: Concordo; 5: Concordo totalmente.

5. Considerações Finais

O WebTech Network tem realizado ações para envolver os alunos com o propósito de contribuir para a comunidade aumentando o letramento digital e proporcionando a inserção no mercado de trabalho.

As ações descritas nesse relato envolveram os alunos extensionistas no desenvolvimento de websites e jornadas de aprendizagem para clientes reais com tecnologias utilizadas no mercado de trabalho. O aprendizado permitiu que os alunos realizassem eventos e outras ações para multiplicação do conhecimento adquirido e geração de impacto na comunidade. O trabalho tem beneficiado pessoas físicas por meio das iniciativas de capacitação e gerando oportunidades reais de trabalho nas empresas parceiras. Essas empresas, por sua vez, têm conseguido ampliar sua visibilidade na comunidade e captar novos talentos para seus quadros.

O programa tem crescido, porém, existem desafios no envolvimento de outros mentores (professores e profissionais de mercado), na captação de novas oportunidades de parcerias, e na viabilização de bolsas para todos os alunos. Tudo isso tem dificultado a continuidade dos trabalhos, uma vez que o mercado de tecnologia está aquecido e sempre surgem oportunidades de estágio ou emprego para os alunos participantes que acabam por deixar o programa. Se por um lado é um complicador para o programa, por outro é a própria razão da sua existência, conseguir conectar os alunos participantes com a realidade de mercado.

O crescimento do número de alunos vinculados ao programa e a conexão com novos parceiros têm gerado perspectivas interessantes quanto à formação mais abrangente para os novos membros e quanto ao impacto que esse trabalho tem trazido para a sociedade.

6. Referências

  1. AGRAWAL, A. K.; GUPTA, T. C. The Role of Extension Activities in Higher Education: A Comprehensive Analysis. European Economic Letters (EEL), [S. l.], v. 13, n. 3, p. 1621–1623, 2023. DOI: 10.52783/eel.v13i3.470. Disponível em: https://www.eelet.org.uk/index.php/journal/article/view/470. Acesso em: 3 abr. 2025.
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